22/11/2017
Fonte: Fundacentro
São Paulo/SP - O cirurgião dentista do trabalho, João Rodolfo Hopp, defendeu a dissertação de mestrado "Interface entre disfunções temporomandibulares e a organização do trabalho em teleoperação: limitações do nexo ocupacional por similaridade e motivos à escamoteação" no Programa de Pós-Graduação Trabalho Saúde e Ambiente, da Fundacentro. Laura Nogueira, tecnologista da instituição no Pará, foi a orientadora da pesquisa.
A pesquisa aponta uma possível correlação entre o modelo organizacional prevalente no setor de serviço de teleoperações e o desencadeamento ou agravamento das disfunções temporomandibulares - DTMs. Essas doenças são "vinculadas às estruturas musculoesqueléticas da região orofacial, envolvendo ossos maxilares e temporais, mandíbula, musculatura mastigatória e articulações temporomandibulares", cujos sintomas podem se manifestar em outras regiões do corpo.
Os fatores psicossociais podem agravar as DTMs. Assim a interlocução com os saberes da organização do trabalho buscou compreender possíveis implicações dos modelos produtivos preconizados e adotados na atualidade nesse tipo de adoecimento. Também se considerou as relações de prazer e sofrimento vivenciadas pelos trabalhadores, a partir do referencial teórico da psicodinâmica do trabalho, desenvolvida por Christophe Dejours.
"Se as normas são menos rígidas, e o trabalhador pode usar a sua subjetividade, o trabalho vai gerar prazer", explica Hopp. Mas nem sempre o sofrimento, inerente ao trabalho, pode ser transformado em prazer. A organização do trabalho se caracteriza pela flexibilização e precarização. Há enxugamento de quadros e intensificação do trabalho. As sobrecargas emocionais podem levar ao adoecimento somático e psíquico.
No caso das DTMs, há uma invisibilidade das possíveis relações com o trabalho, que ficam encobertas, por isso o uso do termo "escamoteação". O pesquisador aponta uma lacuna no acompanhamento da saúde integral dos trabalhadores, em que existe uma ausência do diagnóstico periódico das condições buco-dento-faciais realizado por profissional habilitado como o cirurgião-dentista.
Hopp ainda coloca que as DTMs são compostas por quadros patológicos osteomusculares de múltiplas causas. Há uma relação bidirecional entre fatores sociais, psíquicos e emocionais. Outro dado importante é a maior prevalência em mulheres e entre adultos de 32 e 39 anos.