23/02/2015
Fonte: GCN Comunicação
Franca/SP - Um levantamento divulgado pela Secretaria de Saúde de Franca revela que no ano passado, foram registrados na região um acidente de trabalho a cada duas horas. A estatística tem por base os dados do Cerest (Centro de Referência da Saúde do Trabalhador) e leva em consideração as mortes, lesões e doenças que acometeram os trabalhadores de 22 cidades.
No total, foram 5.932 notificações, com dez mortes e outras cem lesões graves. No caso dos óbitos, estão também as ocorrências ocorridas durante o trajeto em acidentes de moto, carro e bicicleta. O relatório ainda aponta o registro de pouco mais de 1,1 mil lesões médias e 4,6 mil lesões leves. Entre os ramos com maior número de ocorrências estão os serviços, a indústria calçadista e a construção civil. Os homens estão envolvidos em 70% dos casos e a idade das vítimas varia de 20 a 40 anos.
Somente em Pedregulho, dois operários morreram em julho do ano passado quando trabalhavam na abertura de um loteamento. Eles foram soterrados após a terra ceder em uma vala de aproximadamente três metros.
De acordo com a Secretaria Municipal, os casos foram repassados pelas unidades de saúde e hospitais da região por meio do RAAT (Relatório de Atendimento ao Acidente de Trabalho). "Todas as unidades de saúde da rede pública e hospitais públicos e privados, ao receber um trabalhador acometido de acidente de trabalho, devem preencher esse protocolo e enviar a primeira via para o Cerest compilar os dados", informou, via assessoria de imprensa.
Em nota, a pasta também esclareceu que o grau da lesão é diagnosticado pelo médico e que a região representa um grande número de ocorrências "devido todas as unidades estarem cientes da importância da notificação. Em outros locais, a estatística é baixa não devido a falta de acidentes, mas sim à falta de notificação".
Para o coordenador do curso técnico de segurança do trabalho do Ctec (Cursos Técnicos de Franca), Romilson Canuta dos Santos, na região de Franca a cultura de segurança no trabalho ainda é falha em muitas empresas e muitos trabalhadores não têm consciência da importância da prevenção. "A segurança é sempre vista como onerosa e não prioridade. Além disso, não existe o comportamento de usar equipamentos de segurança".
Santos diz que na região, as principais ocorrências são de queda, lesões e prensamento de membros superiores, queimaduras e problemas de coluna. A respeito das causas dos acidente, ele aponta a falta de atenção, falta de manutenção de equipamentos e excesso de confiança. "Franca principalmente tem muita mão de obra artesanal, que lida com materiais cortantes, por isso as mãos, dedos e braços são sempre os mais lesionados".